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MODA A QUALQUER CUSTO

Estou reproduzindo aqui um artigo publicado no blog http://textileindustry.ning.com/forum/topics/moda-a-qualquer-custo-1?xg_source=msg_mes_network, por achar oportuno.

Moda a qualquer custo
Fomos até a China para te mostrar que mortes e penúria são o verdadeiro preço das roupas baratinhas que você compra por aí
por CAROLINA OMS
Com Nana Queiroz e Asia Maria**
e colaboração de Helena Bertho
Da China, dos Estados Unidos, de São Paulo e de Brasília
Ilustração: Bárbara Malagoli
Na região do mercado de tecidos, na província de Guangzhou, na China, brincadeira de criança é virar vestido do avesso pra ficar mais fácil de pregar as alças. Enquanto as mães trabalham na costura e os pais carregam caixas, as crianças parecem até se divertir apostando entre elas quem vira a maior quantidade de peças.
Família, infância e trabalho se misturam para produzir rápido e barato as roupas que abastecem prateleiras no Brasil e no mundo. Às onze da noite, o trabalho e o calor seguem sem sinais de alívio. O termômetro costuma oscilar em torno dos 30 graus e a umidade e o abafamento dentro das oficinas, além da ausência de equipamentos próprios para o trabalho, levam os chineses a trabalharem sem camisa, de chinelos ou descalços. A janta é servida ao lado da máquina de costura. Assim é mais rápido.
Agindo como um possível comprador, a reportagem da Revista Azmina visitou bairros, confecções e intermediários da indústria da moda na China. Encontrou pessoas morando no local de trabalho e banheiros fétidos com um balde no lugar da torneira (veja mais detalhes na galeria de fotos). As visitas foram autorizadas e as condições deixaram no ar a pergunta: “Se este é o lugar que eles escolheram mostrar, o que pensar das confecções que escondem?”
Leia mais: Estilista brasileira vai à fábrica na China, vê como suas peças são produzidas e questiona todo o sistema da moda
O cenário em nada lembra a riqueza ostentada nos prédios das empresas que fazem a intermediação entre os produtores chineses e os compradores estrangeiros, as chamadas traders. Em uma delas, duas enormes portas guardam o acesso da recepção. Caminhando pelo piso espelhado, os compradores encontram o melhor da China capitalista. Mesas de mármore, sofás de couro, valiosos vasos chineses. Tudo nas proporções monumentais de um país continental.
Os valores transacionados nesses prédios são igualmente impressionantes. Em um ano, a indústria da moda movimenta US$ 3 trilhões no mundo. Enquanto a maior parte dos lucros está nas mãos dos acionistas das grandes cadeias de moda nos Estados Unidos e na Europa, o trabalho e o custo ambiental foram terceirizados para a Ásia, que é responsável por 70% da produção mundial de fios, tecidos e confecções. China e Hong Kong se destacam gerando cerca de 30% da produção mundial de têxteis e vestuário.

Mesmo no Brasil, que conta com uma vasta cadeia produtiva, com 33 mil empresas e 1,6 milhão de empregados, a importação cresceu 170% em dez anos, atingindo US$ 2,5 bilhões em 2014, segundo dados reunidos pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Os casos de trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão mostram que a cadeia nacional está longe da unanimidade no respeito aos direitos humanos. Mas mesmo uma breve pesquisa sobre as condições nos principais países produtores da Ásia mostra quão avançada é a nossa legislação e o quanto nós não sabemos como são feitas aquelas roupas que compramos porque “o preço estava ótimo”.

“Na China, a lei é a mínima proteção possível para um trabalhador, já que as fábricas frequentemente violam a lei enquanto buscam agradar às marcas internacionais de fast fashion”, conta PinYu Chen, diretora de projetos da Sacom, ONG de Hong Kong que fiscaliza como grandes corporações tratam os trabalhadores no país. Fast Fashion (ou “moda rápida”) é o nome dado aos grandes varejistas de roupas, como Zara, H&M, Renner e C&A, que procuram produzir rápida e continuamente moda a preço mais acessível. O problema é que, na maioria das vezes, o ônus de um preço menor e uma produção maior recai sobre o trabalhador e o meio ambiente. O custo não desaparece, só se transforma em custo social e ambiental.
Depois de pressionadas por seus consumidores, muitas marcas passaram a fazer auditorias para fiscalizar as condições de trabalho de seus fornecedores. Mas inúmeros especialistas e organizações afirmam que, como avisam as empresas sobre as vistorias com antecedência, os inspetores dão tempo para que os gerentes das fábricas empurrem a sujeira para debaixo do tapete antes que cheguem. Uma investigação independente da Socam descobriu que os fornecedores da Uniqlo (marca japonesa global de roupas de inverno) chegavam a trabalhar 308 horas por mês – quase 19 horas por dia, sem finais de semana. “O pagamento por cada peça é normalmente tão baixo que os funcionários não têm outra alternativa senão aceitar trabalhar muitas horas para ganhar o mínimo suficiente para viver com dignidade”, conta Chen.
Problema global, solução global
A mera existência das auditorias, no entanto, já torna a China um lugar melhor para se trabalhar se comparada a países ainda mais pobres, com legislações trabalhistas insignificantes e constante desrespeito aos direitos humanos. Em 2013, donos de confecções em Bangladesh ignoraram a ordem de evacuação de um prédio com profundas rachaduras nas paredes. No dia seguinte, 1127 pessoas morreram enquanto costuravam roupas para marcas como H&M e Benetton.
O caso inspirou o documentarista Andrew Morgan a viajar pela China, Camboja, Bangladesh e Índia para descobrir o “verdadeiro custo” das roupas que usamos, uma tradução livre do nome do seu documentário True Cost (disponível e recomendado no Netflix). Em cada país, o desrespeito aos direitos humanos e ao meio ambiente se repetia. “A indústria da moda terceiriza sua produção e a única coisa que importa é o lucro. Se um país passa a ter uma legislação trabalhista um pouco mais rígida ou salários maiores, a produção é transferida para outro lugar”, contou ele em entrevista para AzMina.

THE TRUE COST: O filme de Andrew Morgan, está disponível no Netflix e é um belo caminho para saber mais sobre o tema e se deixar tocar. O cineasta passeou por Bangladesh, EUA e Camboja para mostrar o lado negro da cadeia da moda.
Para romper com esse sistema que ele chama de “pesadelo perfeitamente elaborado para os trabalhadores”, o cineasta defende leis mais rígidas de importação nos Estados Unidos e na Europa, principais destinos das roupas. “É possível atuar por meio de acordos comerciais internacionais e de leis de importação mais rígidas. Nas economias desenvolvidas, podemos ter muito mais proteção ambiental e trabalhista, mas nós permitimos que o sistema fosse levado somente pela busca do lucro.”
Leonardo Sakamoto, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e fundador da ONG Repórter Brasil, que fiscaliza uso de trabalho escravo no Brasil, também acredita que o problema exige soluções que ultrapassam as fronteiras dos países. “Se a exploração é global, o combate também deve ser”. Ele defende acordos internacionais que exijam auditorias nas condições de trabalho e ambientais e a criação de mecanismos para punir empresas que superexploram trabalho, como bloquear as importações das que não fiscalizam seus fornecedores ou que foram flagradas com trabalhadores em condições degradantes.

Do outro lado há uma pessoa
Quase 21 milhões de pessoas são vítimas de trabalhos forçados no mundo, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Estima-se que esses trabalhadores gerem 150 bilhões de dólares em lucros. A OIT e o Brasil, no entanto, possuem entendimentos e termos diferentes para se referirem à questão. A OIT chama de “trabalho forçado” situações em que existe violência ou intimidação contra o trabalhador, servidão por dívidas, retenção de documentos e ameaças de denúncia às autoridades de imigração.
Um dos últimos países a abolir a escravidão legalizada, o Brasil escolheu relembrar seus horrores ao chamar de “Lista suja do Trabalho Escravo” um cadastro com as empresas flagradas. O mecanismo foi criado em 2003 e é referência no mundo todo. Entre os grandes produtores de vestuário e tecidos, o Brasil é o único que fiscaliza e responsabiliza as grandes empresas cujos fornecedores se utilizam de trabalho análogo à escravidão.
Além disso, o Brasil vai além das definições da OIT e do resto do mundo e afirma que não é somente a ausência de liberdade que faz um trabalho escravo, mas sim de dignidade. O código penal brasileiro considera que as seguintes condições, encontradas juntas ou isoladamente em um local de trabalho, configuram trabalho análogo à escravidão: condições degradantes de trabalho que coloquem em risco a saúde e a vida do trabalhador; jornada exaustiva a ponto de causar danos à sua saúde ou risco de vida; trabalho forçado e servidão por dívida.
Recém chegadas, as bolivianas Malena* e Maria* sofreram quase todas essas situações em uma oficina de costura em São Paulo. Atraídas por um falso salário de 1,5 mil reais, mãe e filha ficaram trancadas por um mês em uma casa suja onde trabalhavam por quinze horas ao dia nas máquinas de costura, eram acordadas aos gritos e não recebiam nem mesmo água potável ou papel higiênico em quantidade suficiente. A cada semana, o patrão prometia um valor ainda menor por peça costurada e, depois de um mês, o pagamento não chegou. Após uma intensa discussão, o empregador as deixou ir embora.

ILUSTRAÇÃO: Bárbara Malagoli
Quando elas retornaram com a polícia, no entanto, ele havia levado os outros trabalhadores a uma churrascaria e prometido melhores condições. Todos negaram as irregularidades, deixando-as sem pagamento ou direito ao seguro desemprego concedido a trabalhadores resgatados – inclusive aos estrangeiros. Desde julho, enquanto aguardam os resultados de uma ação judicial contra o antigo patrão, elas procuram emprego. “Se não acontecer nada até novembro, eu volto. Meu marido está lá trabalhando, cozinhando e eu aqui não consigo nada”, diz Maria, com os olhos marejados.
Histórias como a de Malena e Maria não são raras na indústria da moda. “Quando revelamos que a maioria dos trabalhadores dessas fábricas são mulheres, conquistamos mais simpatia dos consumidores. Mas não queremos simpatia, queremos poder!”, diz Sochua Mu, ativista de direitos humanos. Sochua atuava no Camboja, mas hoje está exilada nos EUA depois de ter sua prisão decretada por “insurgência” de trabalhadoras do mercado da moda. “Temos que convencer as trabalhadoras a liderarem as conversas nos sindicatos e criar uma rede de ação global de mulheres contra a escravidão moderna, fazendo pressão para que as grandes marcas subcontratem apenas bons fornecedores”, defende.

Seja a mudança
Consumidores podem fazer parte da mudança repensando alguns hábitos na hora de comprar. O primeiro passo é se informar. Um aplicativo da Repórter Brasil chamado Moda Livre, acessível no celular ou no computador, pode te atualizar sobre o assunto em pouco cliques. A partir daí, você pode se recusar a comprar, difundir a informação e questionar sua marca favorita sobre o assunto. Depois de filmar True Cost, Morgan passou a comprar menos e de maneira mais consciente. “Toda vez que compramos algo, mandamos uma mensagem. Se deixamos de comprar, se reclamarmos, pressionamos as marcas a agir diferente”, diz ele.
A C&A, por exemplo, tem “sinal verde” no aplicativo Moda Livre porque fiscaliza de maneira constante e sem aviso prévio as suas fornecedoras para garantir que elas cumpram a legislação ambiental e trabalhista do país onde estão instaladas. Mas Marina Colerato, fundadora do site de consumo consciente Mode.fica, avalia que nenhuma empresa de fast fashion possui uma cadeia de fornecedores à prova de críticas. “O fast fashion em si não é sustentável. A C&A, por exemplo, tem fornecedores em países asiáticos onde as leis são muito mais falhas que no Brasil”.
Em nota, a C&A disse que as auditorias verificam uma lista com mais de 110 itens relativos à saúde e à segurança dos trabalhadores, pagamento de salários e jornada de trabalho de acordo com a legislação trabalhista ou convenção coletiva. As auditorias também comprovam, garante a empresa, a ausência de trabalho infantil ou análogo ao escravo, liberdade de associação, não discriminação e não existência de situações de abuso ou assédio no local de trabalho.
Pequenas ações de muitos consumidores, acredita Sochua, podem fazer toda a diferença. Basta entender que não se trata apenas de comprar uma peça de vestuário, mas de mudar infâncias, vidas, dignidade e liberdade de pessoas como ela.
*Nomes fictícios
** Protegemos a identidade desta repórter com um psedônimo para evitar retaliações contra ela

Sete passos para fazer seu pouquinho:
1. Tenha no celular o aplicativo Moda Livre, da Repórter Brasil, e consulte se a marca que você vai comprar tem sinal verde, vermelho ou amarelo para o trabalho análogo à escravidão. Prefira sempre o verde, claro;
2. Prefira comprar de pequenos produtores que você sabe que respeitam o direito dos trabalhadores, o meio ambiente e os animais sempre que possível;
3. Tenha o hábito de comprar em brechós – há peças usadas lindas e a prática ainda ajuda o meio ambiente;
4. Sempre que souber que uma marca que você usa foi flagrada usando trabalho análogo à escravidão, escreva para o SAC da empresa expressando sua preocupação. Isso ajuda a fazer pressão para que as marcas aumentem a fiscalização sobre seus fornecedores;
5. Leia muito sobre o tema e mantenha o radar atento para marcas que foram denunciadas;
6. Reaproveite itens que você já tem no armário. Uma visita à costureira e os blogs que indicamos podem te ajudar com isso;
7. Organize feira de trocas de itens que você não usa mais com suas amigas e vizinhas.

Os melhores blogs e páginas sobre o tema pra você seguir e fazer a diferença:

NO BRASIL
Review (moda e estilo de vida)
Blog Moda Verde (moda)
Acorda, Bonita (cosméticos)
Mode.fica (consumo consciente)
NA GRINGA (em inglês)
Ecouterre (moda)
Eco Fashion Talk (moda)
Logical Harmony (cosméticos)

ENFIM, 2.015.

As férias terminaram, as grandes dificuldades de 2.014 ficaram para trás. Enfim, 2.015 se inicia, embora ainda antes do carnaval, que marca o início oficial dos negócios no Brasil. Mas o governo já está trabalhando firme, divulgando aumentos e negando dificuldades no fornecimento de energia elétrica e de água. Só aumentos de taxas e tributos.

Nossos economistas videntes, prenunciam um ano de dificuldades e ajustes para as empresas, dentro deste cenário, que prevê crescimento de 0,5% de nossa economia.

Temos clientes que dizem ficar satisfeitos se conseguirem este crescimento, pois vem de dois anos de redução. A estes mostro o exemplo de outros clientes, que tem crescido a taxas superiores a 10% todos os anos, inclusive 2.014.

Como explicar? Fácil, as dificuldades de uns, são as oportunidades de outros. Quem consegue enxergar oportunidades no mercado, e cria estratégias para aproveitá-las, está crescendo. Os que só enxergam as dificuldades e ficam nas lamentações, estão mergulhados em problemas.

Já mostramos várias vezes que uma das dificuldades de nosso segmento de confecção do vestuário, é a falta de costureiras, principalmente novas, para substituírem as que deixam o mercado, por mudança de profissão ou aposentadoria, além do desejado crescimento. Aqueles clientes que estão crescendo, superaram esta dificuldade com uma arrojada política de RH, que retém seus principais funcionários: As Costureiras.

Agora nos deparamos com outra dificuldade, que irá atingir o Brasil em geral, a falta de energia elétrica, pela falta de investimentos e cumprimentos de prazos dos investimentos em andamento, agravados pela crise hídrica.

Qual a saída? Às empresas grandes e algumas médias do setor, que possuem contratos de demanda fixa com as concessionárias e distribuidoras de energia podem preocupar-se menos, pois na maioria dos casos tem até multas previstas para quebra no fornecimento. E as médias e pequenas, que respondem por mais de 70% da produção de roupas no Brasil? Como garantir sua produção?

O que antes era apenas uma opção de redução de custo, passa agora a ser uma questão de estratégia: Facção.

Sim, pulverizar a produção em várias regiões diferentes de uma mesma cidade ou até em várias cidades diferentes, é uma das formas de driblar as quedas de energia que teremos ainda neste ano, ou a falta de costureiras, ou a falta de fidelidade de muitas facções.

Este é outro ponto importante, e que nos interessa focar: FIDELIDADE DAS FACÇÕES.

As empresas reclamam que por trinta centavos oferecidos por um concorrente, o faccionista deixa seu produto de lado, para fazer depois deste outro, provocando atraso na entrega. Ou ainda, entrega seu produto para uma equipe menos eficiente e menos habilitada, provocando dois desvios: atraso e quebra de qualidade, que por sua vez gera outros desvios: equipe interna para consertos e consequente aumento de custos.

Resumimos as necessidades estratégicas de 2.015 numa única palavra: INOVAÇÃO.

Esta deve ser a maior preocupação do empresário de confecção. Inovar sua empresa. Rever todos os conceitos, desde o produto, coleção, marketing, política de preços, políticas de comercialização, processos de fabricação, de compras, financeiros, políticas de RH. Verificar o que está dando certo para potencializar e o que não está, para concertar.

Quem já fez, ou está fazendo esta avaliação para melhorar a empresa, já está em OCEANO AZUL. Quem não acordou ainda, está em oceano turvo ou até mesmo em um OCEANO VERMELHO.

Para onde seu negócio irá em 2.015? A decisão é sua.

A Margem de Lucro

Fui consultado várias vezes, principalmente nos últimos meses, qual é a MARGEM DE LUCRO ideal para se colocar no cálculo para o preço de venda.

Já tive oportunidade de falar em palestras e escrever em artigos que a lei máxima do capitalismo diz: Venda seus produtos pelo MAIOR preço que eles comportarem. Está máxima não é minha e consta de todos os manuais de administração do mundo. É possível aplica-la em qualquer empresa, desde que seus gestores e pessoal de criação e marketing estejam em sintonia com o mercado e a capacidade de seu produto passar “VALOR AGREGADO” ao consumidor, seja em materiais, design ou inovação. Também chamado de valor percebido.

Pela afirmação acima, já podemos depreender que não existe uma margem de lucro padrão a ser aplicada aos produtos, mas existe sim, uma margem de lucro desejada pelos investidores, ao final de cada exercício. É aquela que aparece na última linha do Balanço. Para se chegar a ela, damos a seguir um passo a passo de como fazer com nossas coleções.

Tenho exercitado com nossos clientes o que chamo de ANÁLISE DE PRODUTO E PREÇO. Ao final de cada coleção, tomamos o Ranking de vendas por produto. Com base neste ranking, peço que exponham em um lado da sala de reuniões os 20 modelos mais vendidos, na ordem de grandeza e no outro lado da sala os 20 modelos menos vendido, também em ordem. Em cada um deles, colocamos uma anotação contendo:

  1. Preço de Venda Médio (os produtos sofrem descontos conforme o negócio)
  2. Preço de custo de fabricação.
  3. Preço de Venda Líquido.
  4. Quantidade Vendida.
  5. Margem de lucro teórica.

A Primeira constatação é que os produtos bem vendidos não são os mais baratos, alguns até são os mais caros na coleção, todos, porém, tem uma coisa em comum: suas margens de lucro teórica são maiores que a média aplicada nos cálculos de custo e preço. No outro extremo, encontramos o oposto: Produtos normalmente mais baratos e margem de lucro abaixo da média usada no cálculo de custo e preço.

Convido então os presentes a falarem a respeito dos produtos e em especial, do primeiro e do último, traçando comparações positivas e negativas. Ouvimos ainda estórias sobre eles, contadas pelos criadores e gestores de produto, inclusive sobre o preço fixado para venda. Retiramos então os dois analisados e vamos aos próximos, maior venda e menor venda. Nova análise.

Ao final, construímos um quadro de características positivas e características negativas que devem ou não devem ser incorporadas ao produto de uma nova coleção, com o objetivo de criar não só campeões de venda, mas de montar uma coleção onde todos vendam bem e com uma excelente margem de lucro.

Cuidado, porém. A análise de margem só é possível quando o cálculo do custo do produto for meticuloso e a apropriação dos custos fixos for de forma correta a cada produto.

Adiante apresentamos dois quadros comparativos da marcação de preços em um de nossos clientes, para a coleção de verão em curso.

 

2-tabela-calculo de preco

 

 

 

 

 

32-tabela-calculo de preco

 

 

 

 

 

Nossa planilha de cálculo apresenta a margem obtida em outra guia. No caso acima, o produto “A”, teve margem teórica de 23,51% e o produto “B” de 17,94%.

A ilustração deixa claro a utilização de PREÇO POR VALOR PERCEBIDO ao montar a tabela de preços. Recomendamos que não lancem produtos cujo margem fique abaixo da metade da margem desejada, pois só irão gerar trabalho e pouco ganho, muitas vezes, até consumindo o ganho de outros produtos.

Como veem, margem de lucro, é um valor de mercado.

PREÇO & CUSTO

Todo empresário de confecção demonstra grande preocupação em saber como calcular o PREÇO DE VENDA de seus produtos, com medo de se equivocar e marcar um valor que lhe traga uma margem de lucro insuficiente para remunerar seu capital e garantir os investimentos que promoverão o crescimento de sua empresa.

Estes empresários se esquecem, que na verdade, o preço de venda é estipulado pelo mercado que diz quanto está disposto a pagar por seu produto. Deixemos bem claro aqui, que o que verdadeiramente está em jogo, é o mercado onde a empresa apresenta seus produtos, não o produto em si. Mercados diferentes podem oferecer valores diferentes para um mesmo produto, desde que o produto atenda os requisitos básicos de cada mercado.

Vamos exemplificar aqui. Por obra inusitada do destino, esta semana chegou-me as mãos duas saias de poliéster em estampa digital, com o mesmo modelo e a mesma estampa, porém de empresas diferentes. Colocando-as lado a lado, cobrindo a marca, nenhum dos dois empresários soube identificar a sua, aliás, ambos, achavam que as duas peças eram de suas empresas, tal era a semelhança.

As duas fábricas são de São Paulo, capital. A empresa “A”, é de uma marca conhecida, com lojas próprias em vários shopping e distribuição no Brasil o preço de venda na tabela para vender a lojistas era de R$ 54,90. A empresa “B”, com sua marca pouco conhecida, tem uma loja de atacado e também distribui no Brasil, o preço de venda na tabela era de R$ 24,90. Um consumidor do produto “A” irá pagar aproximadamente R$ 109,90 enquanto o consumidor do produto “B” pagaria R$ 49,90. Podemos bem imaginar quais são os dois mercados, mas o que nos interessa, é saber porque tanta diferença nos preços e quanto cada uma das duas empresas está ganhando.

Primeiro procuramos saber de onde provinha o tecido e descobrimos que a procedência era a mesma, sim, China, mas também do mesmo importador. Os preços eram bem diferentes e fomos entender o porque. A empresa “A”, trabalha com coleção e como o tecido é importado e pode não ter reposição futura, compra antecipado um volume que a previsão de vendas determina como necessário para atender a coleção, neste caso, 3.000 m, com prazo de pagamento para 120 dias. Tecido de 1ª linha. Como demora cerca de 90 dias para ser lançada e até fazer a venda, no momento da primeira entrega o tecido já estará totalmente pago, o empresário coloca sobre o preço do tecido um custo financeiro de 60 dias para cobrir o tempo médio de estoque até o fim da coleção.

A empresa “B”, vende em pronta entrega, mesmo na distribuição Brasil, ou seja: escolhe o tecido, desenvolve um produto, aprova, compra um lote de tecido, corta todo o lote, produz na frente 20 peças como amostra e enquanto os representantes saem vendendo, produz o restante do lote, que chega na expedição junto com os pedidos. O que sobrar manda para sua loja de atacado. No caso de nossa saia, o representante, da mesma importadora que vendeu para a empresa “A”, ofereceu para o empresário “B”, um lote de tecido estampado, ponta de estoque, com leves defeitos, em alguns lugares a estampa estava levemente borrada, com um desconte pelos defeitos e o preço era a vista.

Vamos demonstrar os cálculos e ver quem ganhou mais em % e em $.

Tecido de primeira linha com 120 dias de prazo R$ 23,62
Custo financeiro estoque de 60 dias 3,6% R$ 24,48 preço pago por empresa “A”
Tecido com leves defeitos – à vista 31,5% desc. R$ 16,17 preço pago por empresa “B”
CUSTO DO PRODUTO

Quantidade

EMPRESA “A”      EMPRESA “B”
Tecido

0,40 m

R$  9,79 R$  6,47
Zíper

1

  R$  0,60 R$  0,60
Kit etiquetas

1

R$  1,35 R$  0,65
Tag

1

  R$  0,7 0 R$    0
TOTAL MATERIAIS

 

R$ 12,44 R$  7,72
Mão de obra facção R$  5,50 R$  3,50
Gastos Gerais de Fabricação GGD

2,25(“A”) 1,30(“B”)

R$  7,80 R$  4,55
CUSTO TOTAL DE PRODUÇÃO  

 

R$ 25,74 R$  15,77
MARK UP    
Tributos 13,65% 7,72%
Comissões 12,00% 10,00%
Marketing 4,00% 0
Frete e Perdas 4,00% 1,00%
Custo financeiro sobre a venda 3,60% 1,80%
Margem contribuição(lucro teórico)

15,86% (“A”)

16,10% (“B”)

R$ 8,71 R$ 4,02

Vemos aqui que o porcentual de lucro do produto “A” é menor que o do produto “B”, porém, o valor em dinheiro é maior. R$ 8,71 contra R$ 4,02.

Procurando conter os custos, igual o empresário “B”, a margem de contribuição do produto “A” , tanto em porcentual como em valor, poderia ser bem maior.

Dicas de Costura: O Retrabalho

Este é o nome dado para conserto. Muito comum nas empresas de confecção, ao final, antes de passar a ferro os produtos, ou de embalar, realizar uma inspeção nas peças. Neste momento é que são identificados os pequenos defeitos, possíveis de serem consertados e as peças retornam para a costura.

Ninguém gosta de fazer conserto e, em vários casos e empresas, as peças ficam paradas e jogadas em algum lugar, esperando o momento em que alguém se digne realizar o conserto.

Encontrei empresas que trabalham com facções, que não devolvem o conserto para as facções, “porque acaba demorando muito”. Mantém uma ou mais funcionárias na fábrica s[ó para realizar estes consertos.

Pedimos sempre que eliminem tal prática. O conserto, precisa ser feito pelo grupo ou pessoa que o causou, só assim haverá uma preocupação maior com a qualidade e o índice tenderá a reduzir. No caso de facções, o pagamento deve ser suspenso e os prazos devem contar apenas após o conserto ser entregue com boa qualidade. A suspensão não deve se referir apenas às peças devolvidas, mas o lote todo. Quando mexemos no bolso, as coisas se ajustam.

No caso de produção interna, afirmamos que é necessário o apontamento da quantidade de retrabalho devolvido, comparando com a produção realizada, para se obter o índice de retrabalho. Em nossas pesquisas, o número médio tem sido de 35%. Ou seja, a cada 100 peças produzidas em um dia, 35 retornam para conserto. Mesmo quando aparenta ser uma coisa rápida, o conserto demora. Mobiliza pessoas para desmanchar, procurar linha na cor, as vezes recortar uma parte cujo tecido também precisa ser identificado na tonalidade, etc. Isto significa produzir outra peça neste mesmo tempo. Então, estamos perdendo uma produção de 35 peças a cada 100 produzidas. Quanto isto pode melhorar o desempenho de sua fábrica.

Falamos aqui de todas as consequências e até da importância de se registrar estas ocorrências, para melhor avaliar o desempenho da fábrica. Salientamos, contudo, que o melhor é prevenir.

Aquela “INSPETORA DE QUALIDADE” que examina a peça pronta, funciona como um médico legista. Só dá atestado de óbito. É preciso ter esta inspetora circulando no meio da fábrica, avaliando as operações onde é mais comum encontrar defeitos e aponta-los ainda quando a peça esta em montagem e onde a correção é mais fácil, porém, aproveitando a identificação dos problemas, a líder ou encarregada de produção deve treinar e motivar suas operadoras para produzirem corretamente. A célula de produção é um importante aliado neste momento. Assim o índice pode cair a zero.

Dicas de Costura

Inaugurando nossa série de dicas sobre costura, vamos falar sobre qualidade. Sabemos que muitas pessoas preferem dicas de melhoria na produtividade, coisa que iremos abordar em outras dissertações. Preferimos iniciar com qualidade, porque sempre que falamos com um empresário de confecção do vestuário, ouvimos: “nós trabalhamos com muita qualidade”, “nosso produto tem muita qualidade” e por aí vai, mas não é bem o que encontramos quando visitamos suas fábricas.

Refiro-me, principalmente, a QUALIDADE APARENTE, aquela que se vê no produto, sem mesmo precisar tocá-lo.

No primeiro capitulo da novela “Geração Brasil” da Rede Globo, o personagem da atriz Taís Araújo, uma jornalista que luta para se colocar no mercado de trabalho e mora na periferia, veste-se como toda jovem mulher com poucos https://vgrmalaysia.net/ recursos financeiros, que compra suas roupas no Saara. Para bem marcar o personagem, o figurinista a colocou em uma blusinha de alças, em malha canelada, onde os acabamentos de cavas e decote, (chamado em nosso jargão de: debrum, galão ou viés, conforme a região do Brasil) estavam todos retorcidos, de uma forma “acintosa”, que uma aprendiz de costureira galoneira não deixaria passar. Infelizmente, passa. E roupa barata, virou sinônimo de coisa ruim.

Na feira da madrugada em São Paulo, Na feira da Lua em Goiânia ou no Beco da Poeira em Fortaleza, além do já citado Saara, e outras tantas pelo Brasil, o que mais se vê são produtos mal costurados, como se isto barateasse o produto. Pode-se fazer um produto barato, com boa apresentação. Aliás, está na hora destes confeccionistas acordarem, porque o povo brasileiro está tendo uma melhoria salarial e está mais exigente. Logo, este tipo de produto não terá mais lugar no mercado. Então vamos aprender a fazê-lo bem feito.

Vamos então a dica para melhorar a qualidade do acabamento citado. O USO DE APARELHO INADEQUADO. Como citamos, a peça era de malha canelada, também chamada de “Rib”, ou 2 X 1, que é mais grossa que uma ½ malha, e o aparelho usado foi feito para ½ malha, que é um tecido mais fino que o canelado. A fita de debrum num aparelho de “uma vira”, só dobra a parte superior ficando o acabamento inferior por conta do trançador, trava dentro do aparelho, retardando sua entrada no ponto da agulha enquanto a parte de baixo, movimentada pelos dentes flui quase normalmente, acompanhando a entrada do tecido da blusa. Dizemos quase normalmente, porque ele também vai ficar preso nas paredes com pouco espaço para um tecido mais grosso e isto vai propiciar outro defeito: o enrugamento do tecido, principalmente nas cavas. A fita do debrum entra esticada e o tecido, normalmente a costureira empurra para dentro do aparelho. O resultado final é um franzido localizado.

Como eliminar estes dois defeitos?

Primeiro, utilizar o aparelho adequado. Cada tipo de tecido, ½ malha, suedini, ribana (canelado), moletom, plano, jeans, etc., devem possuir um aparelho próprio. Quando comprar um aparelho, leve uma amostra do tecido que deseja utilizar. O aparelhista pode ajudar na escolha.

Segundo, utilizar a máquina adequada. A galoneira para debrum não é a mesma que faz barra. A máquina em si é a mesma, porém, o sistema de transporte (chapa, dente ou impelente e calcador) é diferente para cada operação, e pode ser adquirido separadamente da máquina, porém, a operação de troca é demorada, leva quase uma hora, feita por mecânico experiente, e não pode ser feito durante o expediente pois irá quebrar a produção. Um calcador de teflon também ajudará quando o tecido for áspero.

Terceiro, o treinamento do operador(a). Para evitar os enrugamentos, o operador precisa segurar levemente o tecido ao invés de empurrá-lo, nas posições em que o fio do tecido está no sentido do urdume, ou a malha no fio.

Usando estas dicas, o trabalho, a operação, irá demorar o mesmo tempo que o de uma peça retorcida ou enrugada e, portanto, não irá custar mais por isto, além do investimento nos aparelhos adequados, que custam pouco e são diluídos no custo.

Vamos melhorar a qualidade e superar nossos concorrentes.

Metas

Quando se deseja chegar a um objetivo, é preciso que se conheça bem este objetivo. O que vamos encontrar pelo caminho, para saber que armas, que instrumentos, que uniforme, vamos usar enquanto planejamos e executamos os atos necessários para alcançar este objetivo.

ESCOLHENDO OS OBJETIVOS

A primeira pergunta que devemos nos fazer, é qual é nosso maior problema, nossa maior dificuldade para alcançar nossa meta. Não vale aqui apontar problemas cuja origem esteja em outro setor ou departamento, ou no fornecedor, primeiro vamos buscar os problemas que dependem de nosso próprio setor. É a estorinha que originou o ditado: Macaco não olha para seu próprio rabo. Por mais problemas que os outros possam nos causar, por certo o nosso departamento, setor, área de trabalho, tem problemas cuja solução depende só de nós. É este que vamos atacar primeiro. Se todos os setores agirem assim, por certo, muitos dos problemas que repercutiam em outro setor serão eliminados e, portanto, vão sobrar menos problemas para serem reclamados como dependentes de outros para serem resolvidos.

Mas cada setor deve ter uma grande quantidade de problemas a serem atacados, e como deve ser feita a escolha? Devemos atacar os de maior repercussão, maior custo, que causem maior transtorno na produção. Quando estivermos em dúvida, devemos calcular em valores financeiros para decidir. Também devemos calcular em valor financeiro o ganho que vamos obter quando alcançarmos nossa meta. Muitas vezes, para alcançá-la precisamos fazer um investimento em material auxiliar, treinamento, equipamento, dispositivo. Precisamos avaliar o ganho final, para saber se compensará este investimento. O setor de custos da empresa, é o departamento indicado para realizar estes cálculos. Ele tem informações completas sobre a fábrica, e pode orientar sobre a direção a ser tomada.

A meta está definida. Agora é hora de planejar sua execução. Discuta com seus colegas e com seus funcionários. Peça opinião de todos. Julgue os prós e os contras, peça novo cálculo ao setor de custos. Apresente ao setor que irá receber seu produto depois, veja se sua solução não será um problema para ele.

O TRABALHO EM EQUIPE

As empresas hoje só conseguem bons resultados quando seus departamentos agem como uma equipe, como um organismo que busca o mesmo resultado. Os diretores das organizações não medem o desempenho pela capacidade individual de seus chefes e encarregados, mas pelo resultado da unidade. Em uma equipe não existem pessoas com maior ou menor importância. Existem membros unidos com um mesmo objetivo. Por menor que possa parecer a contribuição de um dos membros, ela é importante para o sucesso do grupo.

QUAL É A NOSSA MOTIVAÇÃO

As empresas existem para que? Qual é a meta maior das organizações?

Podemos afirmar que o primeiro objetivo dos acionistas, é ganhar dinheiro. Porém para alcançar este objetivo, eles precisam investir nas empresas, e para continuar ganhando dinheiro, são obrigados a continuar investindo na empresa parte do que ganharam. Também para continuar ganhando dinheiro, as empresas precisam produzir produtos pelos quais os consumidores se interessem e paguem. Assim, as empresas precisam cada vez mais apresentar produtos que sejam desejados pelos consumidores, que de alguma forma contribuam para o bem estar destes consumidores. Quem realiza tudo isto para as organizações, são seus funcionários, e quando as empresas encontram equipes que conseguem alcançar e manter estes objetivos, fazem de tudo para mantê-las. Esta é nossa motivação. Manter nossos empregos.

GLOBALIZAÇÃO

A globalização permite que as empresas passem a procurar as equipes capazes de executarem suas metas, em qualquer lugar do globo, do planeta, do mundo.

Isto não acontece porque as empresas desejam aumentar os seus ganhos, mas porque elas precisam sobreviver. Assim como os empregados enfrentam a concorrência de outros empregados, as empresas enfrentam a concorrência de outras empresas em busca do consumidor de seus produtos. Se uma empresa não consegue produzir com qualidade e preço, ela compra de outra empresa em qualquer lugar do mundo, e coloca sua marca no produto. Quando a empresa faz isto, ela não precisa mais de um grupo de trabalhadores, mas de poucos funcionários para vender e distribuir seu produto. Nossa preocupação deve ser não permitir que outros fabricantes possam fazer melhor que nós.

  1. Quebre as barreiras entre os departamentos. O pessoal de projetos, processos, produção, qualidade e administração devem trabalhar como uma única equipe, para prevenir os problemas de produção.
  2. Elimine slogans e metas pedindo por aumento de produtividade sem fornecer os métodos para tal.
  3. Crie equipes técnicas que, além de suas atividades diárias, tenham como meta repensar os processos, sejam administrativos, comerciais ou de produção.
  4. Visite TODAS as feiras de tecnologias com olhos críticos e, principalmente, pensando em como as novas ferramentas podem se incorporar no seu cotidiano.
  5. A palavra “qualidade” tem que deixar de ser um simples vocábulo, para se tornar uma obsessão no dia a dia e deve ser estendida as dependências remotas da empresa, como os banheiros.
  6. Ter em mente que a meta primeira deve ser a satisfação pessoal pelo trabalho realizado aliada a satisfação de seus clientes por usufruir de seu produto ou serviço. Isto nos levará normalmente a nossa meta financeira.

Gestão na Indústria de Confecção

INTRODUÇÃO

Como em toda atividade econômica moderna, a indústria de confecção precisa de um gerenciamento competente, que enxugue sua estrutura tornando-a eficiente e produtiva. Para isto é preciso ter em mãos informações confiáveis.
É comum nas empresas de confecção, as informações estarem na cabeça de um dos sócios, ou dispersas em rascunhos nas mesas de alguns funcionários. Mesmo os que já adotaram o computador como ferramenta de informação, nem sempre o utilizam em sua plenitude, mas com certeza como um SGR.
Seja qual for a situação de sua empresa, grande parte das informações necessárias estão lá, só falta organizá-las para serem usadas no momento certo.
Gerenciar uma empresa, é uma ação de estratégia. Normalmente esta palavra está ligada a grandes operações, principalmente militares, já foi até nome de rodovia, mas é a ação necessária para se gerenciar uma empresa. A estratégia é um planejamento de tudo que se pretende realizar, baseado em fatos e informações presentes, que nos deem uma ideia de como compor o futuro, mas principalmente, o que devemos fazer para que aconteça da forma como planejamos.
Vemos muitos administradores citarem a necessidade de “feeling” para o negócio. Quem decide por feeling na verdade dispõe é de mais informações, e raciocina rapidamente sobre elas, antes de tomar a decisão que acaba sempre dando certo.
Para gerir precisamos então de informações, dispostas de forma ordenada e clara, que estejam a disposição do administrador em seu cotidiano, mas a diretoria precisa traçar a estratégia da empresa, para que o administrador tenha em que se pautar no cotidiano. Suas decisões podem ser diferentes, de acordo com a estratégia que a empresa traçou para seu futuro.

POR ONDE COMEÇAR?

Como sua empresa começou? No começo era uma ideia, juntou com algumas dicas do sócio, muito trabalho para colocar o produto, algumas sugestões de clientes, o preço de venda era bom, as vendas aumentaram, a empresa cresceu, os sócios conseguiram melhorar o patrimônio, e de repente não se sabe como nem porque, as coisas começaram a ficar ruins, difíceis até o ponto que está hoje.
Citamos na frase anterior: “e de repente não se sabe como nem porque”. O que concluímos com esta citação? Que faltou informação. E não adianta aqui dizer que sabe por que está assim. Porque o governo…., porque o dólar…., porque os fornecedores…., porque os magazines… . Isto são conclusões. Faltaram informações na hora de prever estas possibilidades, e normalmente também falta uma grande dose de realismo na hora de estipular metas e de analisar as próprias forças e fraquezas. Faltou enfim o Planejamento Estratégico.
Este é o começo de tudo. O planejamento estratégico é um sistema de análise da empresa que possibilita prever todas as circunstâncias possíveis pelas quais pode passar uma empresa. Existem várias empresas especialistas em organizar um planejamento estratégico. Nós, somos especialistas em empresas industriais de confecção do vestuário.

LUCRO, CUSTO E PRODUTIVIDADE.

O ano de 2.014 tem se mostrado particularmente difícil para as indústrias de confecção do vestuário. O lucro, algo que já era raro no segmento, este ano sumiu. Empresas que antes mantinham títulos a receber, em carteira, hoje estão com todos descontados, em bancos, ou pior, em agiotas. Como sobreviver?
Empresas só sobrevivem com lucro, pois, além de remunerar o capital aplicado no negócio, ou pagar dividendos aos acionistas, é preciso que parte dele seja reinvestido na empresa, para assegurar o crescimento e a sobrevivência. Como fazer isto se afirmamos acima que o lucro sumiu em 2.014? Calma, apesar da copa, ainda dá para salvar o ano com um bom trabalho na coleção verão. Ao final, os competentes sobrevivem. Quem são os competentes? São os que conseguem analisar a empresa frente a mercado, produto, preços, custos, produtividade e, quando não encontrarem solução sozinhos, pedir ajuda.
O mercado este ano está ruim, vendas mais baixas em média, porém, alguns estão vendendo o mesmo da coleção passada e outros ainda com crescimento de até 10% no volume vendido, enquanto a maioria, para vender menos que em coleções passadas, estão oferecendo descontos como atrativo comercial. Estes, infelizmente, podem acabar junto com 2.014.
Uma análise profunda no produto, é a primeira coisa a fazer. Ele está atendendo o mercado? Estou mantendo o DNA de minha empresa, aquilo que no passado me colocou aonde cheguei, permitindo ter lucro e alavancar o crescimento da empresa? Ou optei por despojar os produtos para oferecer preços menores?
Analisar os preços, também frente ao mercado e ao produto é o próximo passo. Lembrem-se, em tempos bicudos, reduz-se os ganhos, ou até o eliminamos. O pró-labore simbólico pode ser de grande ajuda. Analise os custos fixos, veja onde podem ser cortados. Uma empresa competitiva é aquela que para cada real gasto com mão de obra direta (quem realmente faz o produto seja interno ou externo) tenha entre oitenta centavos e um real de custo fixo. (o total das despesas fixas e salários indiretos, inclusive pró-labore e custo financeiro). Encontrei recentemente uma empresa em que este índice era de 2,35. O mercado não paga por sua ineficiência.
Conheça o PONTO DE EQUILÍBRIO de sua empresa, também chamado de ponto do zero a zero. Ou seja, quanto você precisa vender para pagar o custo fixo de sua empresa. Aqui reside uma grande parte dos problemas que citamos acima. Empresas desconhecem seu ponto de equilíbrio, as vendas estão em queda, reclama-se, demite-se alguns funcionários, as despesas continuam alta e as vendas não se recuperam para melhorar o equilíbrio.
Como fazer este cálculo? Simples, mas precisamos de algumas informações, e a primeira delas é a MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO. Chamamos atenção para a diferença entre: Margem de Contribuição e Margem de Lucro. Não são a mesma coisa, mas, nosso artigo é pequeno para explica-las. A partir da margem de contribuição de cada produto e da venda de cada um deles, podemos calcular o ponto de equilíbrio e, na maioria dos casos, encontramos aqui a responsabilidade pelas vicissitudes que enfrentamos. Ao fazer esta conta, descobrimos o quanto falta em nossas vendas para ZERAR a conta, quanto mais, para ter lucro.
Esse é o raciocínio que precisamos ter, e as informações das quais necessitamos para tomada de decisão. A partir do número que encontrarmos, vamos providenciar para que, as vendas, não só superem o ponto de equilíbrio, como nos traga algo mais, como o lucro.
O lucro, não vem só com as vendas, mas com uma produção certa, com qualidade e boa utilização dos recursos de produção, sejam de materiais ou de mão de obra. Tecnologia em máquinas e processos industriais, treinamento operacional e planejamento, completam as ações de melhoria da produtividade e redução de custos.
As dicas estão todas aí. Reúnam as informações e tomem suas decisões. Precisa de ajuda? Consulte-nos.